Poc, poc... E vai-se desmanchando o meu plástico bolha.
Há muitas coisas que cuidam de nós como se fôssemos pequenas crianças inocentes. A número um em cuidados deve ser a geladeira, tantos são os comentários que já ouvi sobre ela. Até eu mesma já abri a sua alva porta para pensar na vida ou para pegar aquela sobremesa geladinha que ela guardou para mim e me serviu muito bem para aliviar toda a ansiedade.
Para outros tantos de pessoas deve ser o computador. Nosso confidente, muitas vezes sabe mais sobre nós que nossos pais e, de vez em quando, nós dá a maior bronca e não funciona mais, de jeito nenhum.
Para alguns outros, um bichinho de pelúcia serve.
Bem, eu escolhi o plástico bolha.
É incrível como aquele pedaço de plástico, a um primeiro olhar tão simples, é dotado de tamanha sensibilidade e cuidado comigo.
Lembro dos meus primeiros contatos com um plástico bolha. Fiquei muito tempo sem saber como se fazia para ele “soltar aquele barulhinho”. Tentei muitas vezes, até que ouvi o primeiro “poc”. Alegria. Desde então, a cada eletrodoméstico comprado, eu ganhava um novo companheiro de brincadeiras até que ele ia embora sem uma bolhinha sequer.
Fui aprendendo a estourá-lo de várias maneiras. Muitas bolhinhas de uma vez. Ou então o torcia e ouvia aquela centena de “pocs” que me deixavam contente por uma semana.
E hoje, muitos anos mais tarde, eu até poderia pensar que o plástico bolha tinha sido apenas uma brincadeira do passado, um ponto importante de minha infância. Mas não. Ele é muito mais do que isso. Se me divertiu na infância, hoje ele me faz pensar, me acalma, me descansa. Sim, ele cuidou de mim esse tempo todo e continua cuidando.
Se estou triste, alguns “pocs” servem para que eu me concentre e veja que não era para tanto. Estressada demais? Nada como vários e rápidos “pocs”, e um mundo de paz vem à mente, olhos parados, cabeça fresca. Raiva? A solução é torcer. Dar uma, duas, três voltas no plástico bolha. E se estou alegre, nada como compartilhar com esse amigo meu sentimento e dar-lhe umas estouradinhas divertidas.
O difícil de ter elegido o plástico bolha para cuidar de mim é saber que ele não estará sempre lá para que eu possa estourá-lo. Não é como a geladeira ou o bichinho de pelúcia. Para ter o plástico bolha eu preciso de um livro, de um eletrodoméstico. Talvez isso seja bom, pois é como se eu estivesse sempre na expectativa da visita de um grande amigo.
Poc, poc... Poc!
Foi-se o derradeiro “poc” de meu plástico bolha, e comigo ficou a alegria de ter compartilhado meus sentimentos com ele.
“Até mais, amigo, nos veremos em breve! Espero que da próxima vez você venha um pouco maior, pois meus sentimentos vêm e vão tão rápido quanto o jeito que anda essa vida!”
segunda-feira, 4 de junho de 2007
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2 comentários:
Muito bom o texto, muito gostoso de ler... Divertido e lírico pra caramba! Meus parabéns. esstá adicionado aos favoritos tb!
Oi Alana, tu sabe que o plástico bolha é usado como técnica de relaxamento e controle da ansiedade em terapias....tu descobriu algo que pode ajudar muito mesmo...beijao
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